quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Eu nunca sei...
EU NUNCA SEI QUANDO AS ESTÓRIAS ACABAM. POR ISSO SEMPRE FICO PRESO ENTRE UMA E OUTRA, OU ENTRE NENHUMA E NENHUMA OUTRA; ENTRE UM RECOMEÇO SEM FIM E UM FIM SEM TÉRMINO. TALVEZ POR SER MAIS ESPECTADOR OU COADJUVANTE, DO QUE PROTAGONISTA DA MINHA VIDA, TENHA ESSA ENFERMIDADE DE NÃO DAR CONTA DE QUANDO BAIXA O PANO. AS LUZES APAGAM, O PÚBLICO SAI, OS COLEGAS LIMPAM A MAQUIAGEM E EU CONTINUO LÁ: COM A FALA NA CABEÇA, O TEXTO DECORADO, AGUARDANDO A DEIXA. A DEIXA QUE NUNCA VEM. SEMPRE TIVE MEDO DAS COISAS E DAS PESSOAS. UM PAVOR E UMA FALTA DE FÉ. TALVEZ POR ISSO EU TENHA CRIADO MINHA PRÓPRIA COMPANHIA TEATRAL, ONDE SOU DIRETOR; CONTRA-REGRA; ATORES E PÚBLICO. ENCENO SÓ PARA MIM UMA TRAGICOMÉDIA. A REALIDADE ME FAZ TÃO MAL E ME DEIXA TÃO FRACO QUE FICO, NO FUNDO DO PALCO, MUITAS VEZES, A SUSSURRAR O TEXTO A MIM MESMO. ÀS VEZES NÃO OUÇO. QUASE SEMPRE NÃO OUÇO, PORQUE SUSSURRO BAIXO E MINHA VOZ É TRÊMULA... O PÚBLICO NÃO ENTENDE A PEÇA, LOGO, NÃO APLAUDE. EU, FURIOSO, DEMITO A TODOS: AO AUTOR; AO DIRETOR; AOS ATORES... EXPULSO O PÚBLICO DO TEATRO E ATEIO FOGO A TUDO. E ALI DENTRO FICO EU, JUNTO ÀS CORTINAS E AOS HOLOFOTES, INCANDESCENTES; QUEIMANDO, QUEIMANDO, UEIMANDO...
Sobre o autor:
Alejandro da Costa Carriles é um escritor carioca que reside na cidade de Petrópolis.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Há tempos o sono não me abandonava desta forma.
Porém desta vez não me abandona por causa das antigas preocupações. Na verdade não sei ao certo os motivos.
Podem ser as novas preocupações, o ócio ou talvez o nada.
A TV clama para não ser desligada, A programação apática e medíocre não acrescenta nada além de horas de distração vazia. As mesmas palavras, frases ensaiadas, tudo parece Ser inédito e sempre visto anteriormente.
A mente não pára, palavras parecem surgir de um lugar onde outrora nem letras havia. Um big-bang da língua brasileira. Faço um chá para ver se acalmo as idéias, mas elas parecem não querer me abandonar...
Pelo menos enquanto não são passadas para o papel, parecem temer cair no mundo do esquecimento... Só que estas possuem um grande problema, Não se organizam.
Querem ser todasescritasdeumavezsó...
Aquelas que exprimem o amor se apresentam, São meigas, porém tão incertas que não sabem o que dizer.
E quando dizem se vêem nervosas por finalmente estarem sendo ouvidas.
Por um momento me aquieto, tento prestar atenção no que elas dizem.
Suas palavras embaralhadas parecem suspirar.
Primeiramente me pedem desculpas por muito tempo.
Deixaram-me em claro, por tirarem-me a paz.
O garoto que virou homem dentro de mim agradece...Pois sei que o meu coração hoje se aproxima de uma nova vida, novas alegrias e tudo mais que o amor pode trazer.
O arrependimento misturado ao remorso de não ter beijado aquela garota parece contrastar com toda a alegria contida em mim. Ainda assim carrego uma parte da garota comigo. E espero que o amanhã amanheça logo, para que eu possa tentar tudo outra vez. Por fim um adeus, ou até mesmo um tchau pois tanto eu como as idéias do amor sabemos que amanhã nos encontraremos de novo. E como uma mãe se despede de um filho, desejo uma “boa noite idéia do amor” e ela me responde: -Boa noite coração do poeta.
Autor: Desonchecido
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Sinto Vergonha de mim...
Sinto vergonha de mim!
"Por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
Que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.
'Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!
"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".
Cleide Canton
sábado, 31 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
...
E foi assim...
No dia em que todas as pessoas do mundo inteiro resolveram
que ninguém ia sair de casa...
Ninguém...
terça-feira, 6 de julho de 2010
Novos Caminhos.
As 16 horas o celular grita desesperadamente em meu ouvido. Numa ação rápida estico meu braço pronto para desligar o despertador e recomeçar minha rotina. Por um instante puxo o aparelho para perto dos olhos e reparo num número desconhecido, ou seja, alguém estava querendo falar comigo.
- Alô, Fernando?
Me recomponho sentando rapidamente na cama.
- Sim, ele mesmo, quem fala?
-Você veio fazer um teste ontem conosco e gostamos muito do seu trabalho...pode começar amanhã?
Um soco no estômago me faz responder com a voz embargada.
- Si-sim...SIM.
Mais algumas conversas e logo desligo o telefone. Ponho-me a andar de um lado a outro no quarto escuro. Desorientado e sem estar totalmente conectado à realidade, uma lágrima vem para lavar meu rosto ainda sonolento. Percebo sem esforço que as lágrimas se multiplicam e que agora sou uma criança que chora...involuntariamente chora. Mas o choro não se declara por perdas, tristezas ou abandonos. Mas sim um choro de desabafo, de conquista, de vitória entendem?
Os pensamentos tomam rumos infinitos e agradeço a tudo que esses meus olhos já puderam ver, a tudo que esses meus braços já puderam abraçar, a tudo que esse corpo meu já soube presenciar e principalmente a tudo que esse meu coração, muitas vezes cansado de apanhar, soube SENTIR. E eu sinto...sinto MUITO.
O meu verbo é SENTIR.
E eu queria agradecer sempre, a tudo e todos, que na presença da amizade significativa, moldaram minha vida e construíram, mesmo que indiretamente, esse FERNANDO que sou nos dias de hoje.
PS: E mesmo que eu ande no vale da sombra e da morte não temerei mal algum porque Tu estás comigo.
E sempre esteve.
sábado, 19 de junho de 2010
Saramago

Sei que não deveria abandonar esse lugar, que para mim serve como uma grande válvula de escape, mas por vezes a ausência se faz necessária para que possamos dar continuidade a outros projetos.
Sinto falta de vir aqui e descarregar um monte de coisas que ando vendo na mídia, na politicagem teatral brasileira, no povo adestrado e sempre calado e na conformidade com a qual encaramos tudo com uma passividade característica brasileira.
Mas...sinceramente? Tenho tido tantas informações e tanta vontade de gritar, protestar e provocar que as idéias fervilhadas acabam se evaporando sem nem ao menos causar as repercuções necessárias.
Sinto falta de vir aqui e descarregar um monte de coisas que ando vendo na mídia, na politicagem teatral brasileira, no povo adestrado e sempre calado e na conformidade com a qual encaramos tudo com uma passividade característica brasileira.
Mas...sinceramente? Tenho tido tantas informações e tanta vontade de gritar, protestar e provocar que as idéias fervilhadas acabam se evaporando sem nem ao menos causar as repercuções necessárias.
Deixando os desabafos profundos de lado, este post serve de homenagem a um Mago da Literatura Mundial.
Dedico, com profundo agradecimento que adquiri durante os processos de buscas literárias, esse espaço, mesmo que pouco visitado e reconhecido, a José de Sousa Saramago que faleceu no dia 18/06/2010.
Dedico, com profundo agradecimento que adquiri durante os processos de buscas literárias, esse espaço, mesmo que pouco visitado e reconhecido, a José de Sousa Saramago que faleceu no dia 18/06/2010.
Um grande vácuo cultural se formou desde então e para quem ainda não conhece sua vasta dedicação a literatura mundial...encontre-o, desfrute-o, busque...desesperadamente BUSQUE! rs
"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"
"É preciso variar, se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca"
"Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos
de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste."
José de Sousa Saramago (1922-2010)
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