domingo, 20 de novembro de 2011

O Choro


Choro, um choro doído, mas quisto.

Começo a andar e começo ver espelhos que refletem não minha imagem,

mas a imagem de pessoas que passaram por minha vida.

Algumas sorriem, outras pedem socorro,

outras dão as costas, e quanto mais ando,

mais corro, pareço não sair do lugar.

E uma voz parece me dizer: “Esse é seu lugar”.

Então sento,

e choro,

um choro aliviado.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Felicidade?


Felicidade?

Disse o mais tolo: "Felicidade não existe."
O intelectual: "Não no sentido lato."
O empresário: "Desde que haja lucro."
O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
O cientista: "Ainda será descoberta."
O místico: "Está escrito nas estrelas."
O político: "Poder"
A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"

O poeta riu de todos,
E por alguns minutos...
Foi feliz!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Esquece o futuro...



Esquece o futuro. Ele não te pertence. O presente te basta.
Mas é preciso ser rápido quando ele é mau presente,
e andar devagar quando se trata de saboreá-lo.
Expressões como “passar o tempo” espelham bem a maneira de viver dessa gente prudente,
que imagina não haver coisa melhor para fazer da vida.
Deixam passar o presente, esquivam-se, ignoram o presente,
como se estar vivo fosse coisa desprezível.
A natureza nos deu a vida em condições tão favoráveis,
que só mesmo por nossa culpa ela poderá se tornar pesada e inútil.

Montaigne

domingo, 11 de setembro de 2011

Ouse...ouse TUDO!!!


OUSE... OUSE TUDO!
NÃO TENHA NECESSIDADE DE NADA!
NÃO TENTE ADEQUAR SUA VIDA A MODELOS, NEM QUEIRA VOCÊ MESMO SER UM MODELO PARA NINGUÉM.
ACREDITE: A VIDA LHE DARÁ POUCOS PRESENTES. SE VOCÊ QUER UMA VIDA, APRENDA... A ROUBÁ-LA!
OUSE, OUSE TUDO!
SEJA NA VIDA O QUE VOCÊ É, ACONTEÇA O QUE ACONTECER.
NÃO DEFENDA NENHUM PRINCÍPIO, MAS ALGO DE BEM MAIS MARAVILHOSO: ALGO QUE ESTÁ EM NÓS E QUE QUEIMA COMO O FOGO DA VIDA!

Lou Andreas-Salomé

domingo, 14 de agosto de 2011

As Três Palavras Mais Estranhas


"Quando pronuncio a palavra Futuro, a primeira sílaba já pertence ao passado. Quando pronuncio a palavra Silêncio, destruo-o. Quando pronuncio a palavra Nada, crio algo que não cabe no que ainda não existe."


terça-feira, 19 de julho de 2011

Hey? Tem Alguém aí?




Hey?!? Tem Alguém aí?

Tem alguém aí? Que me faça acreditar?
O silêncio certeiro traduz, com um soco na cara, a minha dúvida.
Faz tempo que não ouço o telefone tocar.
Há muito tempo também, não encaro as horas, os minutos e os segundos, mas sei que eles estão ali,
continuamente consumindo aquelas lembranças sempre reviradas.
As longas risadas de outrora já perderam a intensidade
e mesmo rodeado de pessoas imbecis me sinto protagonista de uma imbecilidade maior.
Desaprendi a sorrir?
Não me responda...

Hey?!? Tem alguém ai???

Resgato o cheiro bom de chuva na terra molhada
e recordo do quanto sentia-me livre naquele simples instante onde NADA era TUDO.
Era o momento em que a minha infância era registrada descaradamente na vida.
O azulejo português que sustentava o caminhar daquela velha senhora,
sempre me fez sonhar com um mundo de possibilidades infinitas
e justo ali eu me despia de todos os medos que a realidade me oferecia diariamente.

Ao tentar a fuga forçada de uma naturalidade chamada tempo,
descobri que aos poucos me foi arrancado, bruscamente, uma parte do amor.
Vi a carne chegar aos ossos e a terra cobrir as flores jogadas no último Adeus...
porquê?...porquê???

O barulho contínuo da metrópole, sufoca o som dos pássaros urbanos em suas respectivas árvores cinzas.
A natureza cala-se e dá passagem ao homem primata que em sua individualidade canta o capitalismo selvagem.
Eu, filho do caos, ainda como espectador, encaro cada movimento...subtraio-me.
Protagonista que sou...aquieto-me a observar.
Atravesso multidões, fantasio-me de NADA...desapercebo-me.
Torno-me ele e ela.
Sou aqui e ali.
Tenho medo de mim.

As folhas secas continuam sendo varridas junto com os restos do que fomos...
Mais um brinde por favor?
Sonhei com o amor por mais uma vez...

Amor?
Eu que sempre fui marcado pelo plural?
Eu que sempre fui beijos e palavras cultivadas na intensidade do agora?
Eu que sempre rasguei no verbo as verdades que me brotavam continuamente
quando sorrisos sinceros batiam de frente com os olhos que sempre buscam?

Busco, desesperadamente busco e embriago-me com a vida!!!

Fernando Resende

terça-feira, 28 de junho de 2011

O essencial é saber ver...



O essencial é saber ver, mas isso, triste de nós que trazemos a alma vestida,
isso exige um estudo profundo, aprendizagem de desaprender.
Eu prefiro despir-me do que aprendi,
eu procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
desembrulhar-me e ser eu.

Alberto Caeiro