segunda-feira, 26 de julho de 2010

...




E foi assim...

No dia em que todas as pessoas do mundo inteiro resolveram
que ninguém ia sair de casa...

Ninguém...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Novos Caminhos.


As 16 horas o celular grita desesperadamente em meu ouvido. Numa ação rápida estico meu braço pronto para desligar o despertador e recomeçar minha rotina. Por um instante puxo o aparelho para perto dos olhos e reparo num número desconhecido, ou seja, alguém estava querendo falar comigo.

- Alô, Fernando?

Me recomponho sentando rapidamente na cama.

- Sim, ele mesmo, quem fala?

-Você veio fazer um teste ontem conosco e gostamos muito do seu trabalho...pode começar amanhã?

Um soco no estômago me faz responder com a voz embargada.

- Si-sim...SIM.

Mais algumas conversas e logo desligo o telefone. Ponho-me a andar de um lado a outro no quarto escuro. Desorientado e sem estar totalmente conectado à realidade, uma lágrima vem para lavar meu rosto ainda sonolento. Percebo sem esforço que as lágrimas se multiplicam e que agora sou uma criança que chora...involuntariamente chora. Mas o choro não se declara por perdas, tristezas ou abandonos. Mas sim um choro de desabafo, de conquista, de vitória entendem?

Os pensamentos tomam rumos infinitos e agradeço a tudo que esses meus olhos já puderam ver, a tudo que esses meus braços já puderam abraçar, a tudo que esse corpo meu já soube presenciar e principalmente a tudo que esse meu coração, muitas vezes cansado de apanhar, soube SENTIR. E eu sinto...sinto MUITO.

O meu verbo é SENTIR.

E eu queria agradecer sempre, a tudo e todos, que na presença da amizade significativa, moldaram minha vida e construíram, mesmo que indiretamente, esse FERNANDO que sou nos dias de hoje.

PS: E mesmo que eu ande no vale da sombra e da morte não temerei mal algum porque Tu estás comigo.

E sempre esteve.




sábado, 19 de junho de 2010

Saramago


Sei que não deveria abandonar esse lugar, que para mim serve como uma grande válvula de escape, mas por vezes a ausência se faz necessária para que possamos dar continuidade a outros projetos.
Sinto falta de vir aqui e descarregar um monte de coisas que ando vendo na mídia, na politicagem teatral brasileira, no povo adestrado e sempre calado e na conformidade com a qual encaramos tudo com uma passividade característica brasileira.
Mas...sinceramente? Tenho tido tantas informações e tanta vontade de gritar, protestar e provocar que as idéias fervilhadas acabam se evaporando sem nem ao menos causar as repercuções necessárias.

Deixando os desabafos profundos de lado, este post serve de homenagem a um Mago da Literatura Mundial.
Dedico, com profundo agradecimento que adquiri durante os processos de buscas literárias, esse espaço, mesmo que pouco visitado e reconhecido, a José de Sousa Saramago que faleceu no dia 18/06/2010.

Um grande vácuo cultural se formou desde então e para quem ainda não conhece sua vasta dedicação a literatura mundial...encontre-o, desfrute-o, busque...desesperadamente BUSQUE! rs

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"

"É preciso variar, se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca"

"Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos
de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste."

José de Sousa Saramago (1922-2010)

domingo, 9 de maio de 2010

A Linguagem do Poeta


Uma linguagem que corte o fôlego.
Rasante, talhante, cortante.
Essa deve ser a linguagem do poeta.
Linguagem de aços exatos, de relâmpagos afiados, de agudos incansáveis, de navalhas reluzentes.

Uma dentadura que triture o eu-tu-ele-nós-vós-eles.

Um vento de punhais que desonre as famílias, os templos, as bibliotecas, os cárceres, os bordéis, os colégios, os manicômios, as fábricas, as academias, os cartórios, as delegacias, os bancos, as amizades, as tabernas, a revolução, a caridade, a justiça, as crenças, os erros, a esperança, as verdades... a verdade!


Sobre o autor: Octavio Paz nasceu e morreu na Cidade do México (1914 - 1998). Foi encorajado por Pablo Neruda para se dedicar à poesia. Foi escritor, poeta, diplomata e jornalista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De frente


"L'homme est le seul oiseau qui porte sa cage" de Claude Weiss



Com os olhos fechados, mas totalmente desperto,
Imaginou passos que se aproximavam da porta do quarto.
Depois cessavam.
Batiam na porta, perguntavam:

- Posso entrar? (perguntava-lhe a vida)
- Pode - ele disse.

E voltou-se para encará-la...de frente.



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nossos Inimigos



Nossos inimigos dizem:

"a luta terminou".

Mas nós dizemos:

"ela começou".

Nossos inimigos dizem:

"a verdade está liquidada".

Mas nós dizemos:

"nós ainda a conhecemos".

Nossos inimigos dizem:

"mesmo que ainda se conheça a verdade, ela não pode mais ser divulgada".

Mas nós a divulgamos.


Autor: Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.