domingo, 23 de agosto de 2009

Cotidiano



Aqui, escrevo um pequeno trecho do livro "O mundo de Sofia", adaptado por mim e que ilustra o lugar em que estamos querendo chegar...ok? Prestem atenção onde as crianças se localizam nesse trecho e é lá que quero estar com vocês!!!

" Um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só Nós, eu, vocês e os "raros" temos a ousadia para nos lançarmos nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Nos agarramos com força aos pêlos dos coelhos e berramos para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:

Senhoras e senhores - gritamos - estamos flutuando no espaço!!!

Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela nossa gritaria.

- Deus do céu! Que pessoas mais barulhentas! - elas dizem.
E continuam a conversar: será que você pode me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que o novo presidente dos Estados Unidos é o Barack Obama?

Os adultos achavam o mundo uma coisa evidente. Dormiam para sempre o sono encantado do COTIDIANO.

- Você apenas se habituou tanto com o mundo que ele não surpreende mais você!!!

PS: Quanto ao coelhinho branco, talvez seja melhor compará-lo com todo o universo. Nós, que vivemos aqui, somos os bichinhos microscópicos que vivem na base dos pêlos do coelho. Mas Nós, os "raros", tentamos subir da base para a ponta dos finos pêlos, a fim de poder olhar bem dentro dos olhos do grande mágico.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Reengenharia do Tempo




Acontece

Bateram à minha porta em 6 de agosto,
aí não havia ninguém
e ninguém entrou, sentou-se numa cadeira
e transcorreu comigo, ninguém.

Nunca me esquecerei daquela ausência
que entrava como Pedro por sua causa
e me satisfazia com o não ser,
com um vazio aberto a tudo.

Ninguém me interrogou sem dizer nada
e contestei sem ver e sem falar.

Que entrevista espaçosa e especial!

(Últimos Poemas)

Pablo Neruda

terça-feira, 14 de julho de 2009


Caminho por lugares que desconheço...
O tempo não me cobra destino algum...
Porque lá onde estou...
esse mesmo tempo, que para nós sufoca o dia, não existe...
Esqueço então das cobranças massacrantes...
Dos erros que feriram minhas costas e exausto já não suportava carregá-los...
Refugio-me...
Apenas encontro-me com o silêncio que tanto desejei...

Se existem pessoas nesse mesmo mundo que por pensamentos concretizei?
Devo-lhes a resposta...
Tive desejos...
E como quem acredita, fiz pedidos...
Desejei que tudo desaparecesse...
Então ao meu redor...
O vazio tornou-se real...
Estava eu numa infinidade branca sem mais ruídos, paisagens ou qualquer coisa que nos remete à realidade...

Tomei-me pelo medo...
Mas assemelhando-se à imaginação dos loucos...
Vinte anjos sussurraram em meus ouvidos...
Junto deles a inocência linda de um sorriso contagiante...

A reconheci através dos sonhos revirados em minhas recordações...

Beatriz...

E por pensamentos trocamos proteção...
Sentimos a potencialidade do amor...
Batemos de frente com a felicidade que invadia a imensidão vazia...
Criamos nossos mundos...
Gargalhamos incansavelmente até sentir a barriga doer...

E juntos relembramos a minha amada...

apenas relembramos...


Fernando Resende

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Quisera eu...


Quisera eu ter a facilidade de não saber discutir pessoas...
Quisera eu viver demais e pensar de menos...
Quisera eu discutir maiores idéias...
Quisera eu, não mais fazer convites sinceros e por vontades loucas, aparecer repentinamente na frente de amores...
Quisera eu declarar poemas, superar sentimentos, entregar-me em novidades...
Quisera eu não mais manter limites que me prendam em eternas inseguranças...
Quisera eu tentar demais e fracassar de menos...
Quisera eu dividir maiores lembranças e viver sem pudores...
Quisera eu quebrar princípios e cantar maiores liberdades...
Quisera eu ter retribuído maiores carinhos, ter respondido com igualdade aos atos liderados por paixões...
Quisera eu escolher caminhos e facilitar a chegada de novas eras...
Quisera eu seguir eternamente apaixonado e jamais sentir-me incapaz dos desejos de reconquista...
Quisera eu acabar-me em palavras...
expor desejos, excluindo de mim qualquer tentativa de terminar em silêncio...
Quisera eu surpreender-me com atitudes rápidas caracterizadas por vontades únicas de beijos, abraços, carinhos, tesão...
e simplesmente entregar-me...
Abandonar o corpo e os pensamentos...
Abandonar a palavra não...
Quisera eu acreditar no que a novidade pensa ao meu respeito...
Quisera eu manter união eterna com as mudanças e aprendizados...
Quisera eu ter sido mais necessário...
Quisera eu ser menos confiável...
Quisera eu superar limites impostos...
Quisera eu ter a necessidade de abandonar-me no mundo e fazer companhia excessiva ao silêncio e à noite...
Quisera eu evitar amores, as vezes, por senti-los desnecessários e então não retribuí-los...
Quisera eu ter um amor a cada dia, uma boca a cada momento, um corpo a cada desejo e depois de tudo isso jogá-los fora...
Quisera eu provocar sentimentos...
sentir-me em falta...
e depois de tudo...
querê-los de volta...
Quisera eu evitar a inconstância...
Quisera eu dizer-te todos os dias, em seus ouvidos, palavras completas...
que só voce saiba...
Quisera eu ser a sua vontade, o seu homem, o seu desejo e tudo o que lhe for necessário...
Quisera eu querer e não querer-te...
Quisera eu acreditar no sempre e jamais perder pessoas...
Quisera eu chorar as lágrimas que não tenho tido tempo de chorar...
Quisera eu perder o fôlego com sorrisos sinceros e dizer não ao sorrisos falsos, forçados, amarelos...
Sem graça...
Quisera eu ter companhia nessa noite fria, onde o vento gelado insiste em rasgar minhas mãos trêmulas...
Quisera eu ter, só por esta noite, o calor do amor, a sinceridade de um olhar e a reciprocidade dos pensamentos longínquos...
Quisera eu dividir respostas para o que insisto buscar calado...
dividir os copos...
sujar as mesas...
derrubar cadeiras...
Rir desnecessariamente por estar satisfeito em compartilhar verdades...
Quisera eu...
calar-me...
eternamente...
Deixando apenas palavras e acreditando na receptividade que as mesmas insistem em produzir....


Fernando Resende

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vozes Inaudíveis




Querem encontrar os meus olhos ao caminharem pelas ruas?
Encontre-os então com profundidade...
Com toda a essência do querer e sintam vontades de os possuírem...
Mas se me queres e repentinamente desvia seu olhar para outras atenções...
Esquece-me e segue em frente...
Assim continuarei o meu caminho...
Em busca dos que queiram me despir por curiosidades...
Quero propostas e idéias que me façam refletir a existência...
Quero as palavras sinceras...
Assim saberei quem são todos vocês...

Sentem curiosidades de saber o que penso?
Descubram se assim o quiserem...
Não serei restrito para as dúvidas que inquietam...
Abandonem seus medos...
E me façam seguir com todos vocês...

Não me prometam desejos...
Vou buscá-los até que cada um de vocês se renda...
Me despertem e então sentirão minha presença ao querer o que busco...
Se permaneço irreversível em minhas idéias?
Me façam enxergar outros mundos...
Serão capazes?
Mostrem-me...

Sempre e digo sempre com palavras fortes, pois são verdades vindas de mim, busco conhecimentos que me façam engrandecer o homem que sou...
Me querem como amante?
Então depositem em mim o desejo de se renderem como mulher...
Queiram entregar-se com vontades explícitas...
Entreguem-se de corpo inteiro...
Digam palavras silenciosas em meus ouvidos...
E que me façam sorrir ao refletir o que penso...

O que penso eu do mundo?
Não queiram sabê-lo...
As muitas esperanças que um dia fui capaz de possuir perdem-se com os dias...
Mas não digam que desisti...
Nos meus planos a desistência não me alegra e muito menos me conforta...
Apenas reflito sobre desesperanças...
Mas apaixonado que sou...
Reergo-me sempre que os dias se mostram oportunos para novas aprendizagens...
Errar foi bom...

Arrastem-me pra vida...
Ouviram?
Me puxem pelos braços e me façam seguir os caminhos desconhecidos que tanto anseio...
Deixem a loucura gritar forte em cada pensamento...
Seremos livres para criar frases, idéias e sonhos...
Sejamos libertários nas atitudes nossas de cada dia...
Amante que sempre fui dessa palavra...
Liberdade...
Sim, a liberdade...

Queiram também deixar a chuva rasgar o meu corpo cansado...
E logo assim encontro-me com a felicidade que hoje me falta...
Brindaremos juntos...
E se rejeitam as minhas chamadas...
Brindo eu sozinho...
Por muito, aprendi a ser sozinho...
E isso já não mais me incomoda...
Cansei-me de olhar os beijos demorados através do vidro manchado...
E a velha cadeira a segurar o peso do meu corpo...
A mesma cadeira que me inspirava os versos rápidos em folhas quaisquer...
A mesma visão todos os dias...

Perdia-me então em reflexões...
Em novos quereres...

Não me esperem no trabalho amanhã...
O amanhã é recomeço...
E eu me entrego ao dia novo...
Entrego-me aos caminhos mostrados outrora pelas vozes inaudíveis que habitam meu subconsciente...
Sim...
Agradeçam as vozes inaudíveis...
Tudo sempre passou em silêncio...
E eu já não quero mais deixar a vida me tomar pela incerteza...
Já não quero eu, deixar morrer a capacidade de um dia ter tentado...
e lutado...
e sofrido...
e ao final, em minhas conclusões...
ter gostado...

E não queiram jamais me impor idéias atrasadas...
Não, não...
Já não tenho aceitado muitas banalidades...
Entenderam de bons ouvidos?
E se nenhum de vocês for o que realmente penso...
Não me faz mal...
Só não insistam em querer a minha presença...
Não me venham com imposições...
Ignoro-as sempre...

Como me pedem para sonhar com as estrelas...
Se ainda não fui capaz de vivenciar a noite?
Não me venham também com moralismos...
Esqueçam essa moral em suas bagagens transitórias...
"eu próprio sou aquilo que perdi"

E mesmo nessas perdições, tenho em mim todos os sonhos do mundo...
Os meus aprendizados valem mais do que as coisas que deixo pra vida...
E é nesse materialismo tolo que nos tornamos incapacitados de sentir...
Olhem nos olhos...
Aprendam com simplicidade contagiar multidões...

E hoje eu não voltarei pra casa...
Não voltarei porque hei de sonhar com as estrelas...
Hei de construir novos pensamentos...

É nessa noite de estrelas que tenho eu oportunidades de vestir novos sentimentos...
Calçar nos pés andantes as alegrias que desejo...
Beber em cada garrafa os novos rumos da vida...
E apagar com sopros fortes a realidade de não ter conquistado o que um dia amei...


Fernando Resende


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Essência



Coloquei um pouco do seu sorriso na minha mala...
Usei alguns dos seus cheiros pra acompanhar minha viagem...
Reli palavras para encurtar o tempo...
E quando o sol nasceu...
Te desenhou em todos os lugares.

Fernando Resende

terça-feira, 19 de maio de 2009

Re...viver




Eu que já fui criança
Eu que já fui saudades
Eu que já fui motivo errado
Eu que já fui amor pra vida toda

Eu que já fui palavras ditas
Eu que já fui amizade sincera
Eu que já fui beijos roubados
Eu que já fui o medo do desconhecido

Eu que já fui batalhas perdidas
Eu que já fui sangue derramado com gosto de derrota
Eu que já fui conquistas grandes
Eu que já fui imperador de mundos sem fronteiras

Eu que já fui história
Eu que já fui silêncio
Eu que já fui aprendizado
Eu que já fui um banho frio para curar ressacas matinais
Eu que já fui risadas

Eu que já fui insônia
Eu que já fui olhos nos olhos
Eu que já fui dono de casa
Eu que já fui ciúmes exagerado

Eu que já fui cultura estrangeira
Eu que já fui loucura reprimida
Eu que já fui danças sincronizadas
Eu que já fui amigo de calçadas
Eu que já fui cachorro de gente rica

Eu que já fui geladeira divida
Eu que já fui armário compartido
Eu que já fui louça suja e cerveja gelada
Eu que já fui cigarros e cigarros
Eu que já fui noites não dormidas

Eu que já fui sonhos realizados
Eu que já fui contos inacabados
Eu que já fui artista de rua
Eu que já fui conselhos revolucionários
Eu que já fui outono, inverno, primavera e verão

Eu que SOU saudades
De coisas que ainda vivo e re...vivo!!!


Fernando Resende