Eu não sou muito fã de Natal...coisa pessoal sabe?
Realmente não me importo se você, se ele ou ela, se aqueles ou aquelas, enchem os rostos de sorrisos falsos e saem abraçando Deus e o mundo sustentando auréolas em suas cabeças.
Claro, antigamente poderiam me chamar de " O rebelde sem causa", como assim ainda podem fazê-lo, mas hoje vejo o mundo com "outros olhos".
Tenho maiores questionamentos e...sinceramente?
Questiono mesmo toda essa FALSA FELICIDADE que muitos fingem trazer junto com o Natal.
Questiono todo esse Arrependimento vindo através de momentos curtos de reflexões vazias.
Questiono a falta de participação nos devidos interesses de uma sociedade um tanto quanto mais justa.
Questiono a violência com a qual compartilhamos, dia a dia, a nossa expectativa de sobrevivência.
Questiono a falta de atitude quando vemos, bandidos engravatados, em suas eternas leis, prejudicarem o povo e o futuro dos que " não desistem nunca".
Questiono a cumplicidade dos que, de cabeça baixa, aceitam tudo e se conformam com tudo...
se conformam com a saúde pública, o transporte caótico, os impostos abusivos, a violência excessiva e a robalheira escrachada.
Habituam-se...involuntariamente Habituam-se.
Papai Noel...posso eu te pedir um favor?
Será que você pode nos presentear com muitos barquinhos?
Sabe o que é?
O verão está chegando e já que estamos acostumados com as enchentes, eu não gostaria de perder tudo embaixo d´água.
Prometo que fui um bom menino.
Assisti todas as novelas da Globo, votei no Tiririca, não exigi que a lei fosse cumprida quando os fichas sujas se reelegeram, não reclamei dos altos preços devido as infinitas taxas de impostos, não exigi que as aulas fossem repostas quando meu professor da escola pública faltou, não briguei por uma vaga no hospital quando minha mãe estava bem doente e finalmente concordei com a possível volta da CPMF.
Obrigado por tudo SEMPRE, meu bom velhinho.
PS: A todos um ótimo 2011...Muita coisa boa está por vir...assim acredito eu.
Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida.
Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.
Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.
DEVAGAR, O TEMPO TRANSFORMA TUDO EM TEMPO. O ÓDIO TRANSFORMA-SE EM TEMPO. O AMOR TRANSFORMA-SE EM TEMPO. A DOR TRANSFORMA-SE EM TEMPO. OS ASSUNTOS QUE JULGAMOS MAIS PROFUNDOS, MAIS IMPOSSÍVEIS, MAIS PERMANENTES E IMUTÁVEIS, TRANSFORMAM-SE DEVAGAR EM TEMPO.
MAS, POR SI SÓ, O TEMPO NÃO É NADA, A IDADE NÃO É NADA, A ETERNIDADE NÃO EXISTE.
Sobre o autor: José Luís Peixoto é um escritor e dramaturgo português.
EU NUNCA SEI QUANDO AS ESTÓRIAS ACABAM. POR ISSO SEMPRE FICO PRESO ENTRE UMA E OUTRA, OU ENTRE NENHUMA E NENHUMA OUTRA; ENTRE UM RECOMEÇO SEM FIM E UM FIM SEM TÉRMINO. TALVEZ POR SER MAIS ESPECTADOR OU COADJUVANTE, DO QUE PROTAGONISTA DA MINHA VIDA, TENHA ESSA ENFERMIDADE DE NÃO DAR CONTA DE QUANDO BAIXA O PANO. AS LUZES APAGAM, O PÚBLICO SAI, OS COLEGAS LIMPAM A MAQUIAGEM E EU CONTINUO LÁ: COM A FALA NA CABEÇA, O TEXTO DECORADO, AGUARDANDO A DEIXA. A DEIXA QUE NUNCA VEM. SEMPRE TIVE MEDO DAS COISAS E DAS PESSOAS. UM PAVOR E UMA FALTA DE FÉ. TALVEZ POR ISSO EU TENHA CRIADO MINHA PRÓPRIA COMPANHIA TEATRAL, ONDE SOU DIRETOR; CONTRA-REGRA; ATORES E PÚBLICO. ENCENO SÓ PARA MIM UMA TRAGICOMÉDIA. A REALIDADE ME FAZ TÃO MAL E ME DEIXA TÃO FRACO QUE FICO, NO FUNDO DO PALCO, MUITAS VEZES, A SUSSURRAR O TEXTO A MIM MESMO. ÀS VEZES NÃO OUÇO. QUASE SEMPRE NÃO OUÇO, PORQUE SUSSURRO BAIXO E MINHA VOZ É TRÊMULA... O PÚBLICO NÃO ENTENDE A PEÇA, LOGO, NÃO APLAUDE. EU, FURIOSO, DEMITO A TODOS: AO AUTOR; AO DIRETOR; AOS ATORES... EXPULSO O PÚBLICO DO TEATRO E ATEIO FOGO A TUDO. E ALI DENTRO FICO EU, JUNTO ÀS CORTINAS E AOS HOLOFOTES, INCANDESCENTES; QUEIMANDO, QUEIMANDO, UEIMANDO...
Sobre o autor: Alejandro da Costa Carriles é um escritor carioca que reside na cidade de Petrópolis.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Há tempos o sono não me abandonava desta forma.
Porém desta vez não me abandona por causa das antigas preocupações. Na verdade não sei ao certo os motivos.
Podem ser as novas preocupações, o ócio ou talvez o nada.
A TV clama para não ser desligada, A programação apática e medíocre não acrescenta nada além de horas de distração vazia. As mesmas palavras, frases ensaiadas, tudo parece Ser inédito e sempre visto anteriormente.
A mente não pára, palavras parecem surgir de um lugar onde outrora nem letras havia. Um big-bang da língua brasileira. Faço um chá para ver se acalmo as idéias, mas elas parecem não querer me abandonar...
Pelo menos enquanto não são passadas para o papel, parecem temer cair no mundo do esquecimento... Só que estas possuem um grande problema, Não se organizam.
Querem ser todasescritasdeumavezsó...
Aquelas que exprimem o amor se apresentam, São meigas, porém tão incertas que não sabem o que dizer.
E quando dizem se vêem nervosas por finalmente estarem sendo ouvidas.
Por um momento me aquieto, tento prestar atenção no que elas dizem.
Suas palavras embaralhadas parecem suspirar.
Primeiramente me pedem desculpas por muito tempo.
Deixaram-me em claro, por tirarem-me a paz.
O garoto que virou homem dentro de mim agradece...Pois sei que o meu coração hoje se aproxima de uma nova vida, novas alegrias e tudo mais que o amor pode trazer.
O arrependimento misturado ao remorso de não ter beijado aquela garota parece contrastar com toda a alegria contida em mim. Ainda assim carrego uma parte da garota comigo. E espero que o amanhã amanheça logo, para que eu possa tentar tudo outra vez. Por fim um adeus, ou até mesmo um tchau pois tanto eu como as idéias do amor sabemos que amanhã nos encontraremos de novo. E como uma mãe se despede de um filho, desejo uma “boa noite idéia do amor” e ela me responde: -Boa noite coração do poeta.
"Por ter sido educadora de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era Que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o "eu" feliz a qualquer custo, buscando a tal "felicidade" em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo, a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos "floreios" para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre "contestar", voltar atrás e mudar o futuro.
'Tenho vergonha de mim pois faço parte de um povo que não reconheço, enveredando por caminhos que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir pois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto".
Tenho corrido do tempo mas ele sempre me alcança e as vezes me cansa.
Tenho tentado enganar as horas, os minutos e os segundos.
Mas na verdade eles brincam de se esconder.
E quando eu os acho...
o dia me atropela e a noite me carrega.