segunda-feira, 13 de junho de 2011

Você sabe que todas as coisas..



Você sabe que todas as coisas vão se acabar.
Resta o efêmero, resta o amor.
Faça-se amor, grita com as dores da consciência, toma as pílulas de alegria do sono e do sexo.
Repete o mesmo canto, as mesmas palavras, as mesmas súplicas surgidas da insatisfação do primeiro parto.
Soluça e ama na inutilidade das verdades que você diz e que já foram ditas e sentidas. Grita o amor à sua carne, a seu egoísmo, que nega que foge, porque você se ama e a todas as suas coisas, porque você sabe que todas as coisas de hoje, de amanhã de sempre vão se acabar, vão se acabar.


Autor: Stella Maris

domingo, 22 de maio de 2011

Abandono


Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:

quando cheias de areia de formiga e musgo - elas
podem um dia milagrar de flores.

(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)

Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro - elas podem um dia milagrar violetas.

(Eu sou beato em violetas.)

Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!

(O abandono me protege.)

Manoel de Barros

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Escolho meus amigos pela pupila


Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

terça-feira, 29 de março de 2011

Aqui se vive...


Guimarães Rosa escreveu: "Viver é um descuido prosseguido".


Sigo à risca.

Me descuido e vou...

Quebro a cara. Quebro o coração.

Tropeço em mim. Me atolo nos cinco sentidos. Viver não é perigoso? Então, com sua licença! Não tenho medo.

Nasci assim. Descuidado. Encantado pela vida. "O sertão é dentro da gente".

Ah, como não? Aqui tudo é perdido. Tudo é achado. Somos ferro e fogo. Perigo nunca falta!

Sertão é igual coração. Se quiser, que venha armado! Tudo é igual. Aqui se vive. Aqui se morre. Dentro e fora da gente.

Confusão demais em grande demasiado sossego.

quarta-feira, 23 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

Nitimur In Vetitum


NOS LANÇAMOS AO PROIBIDO.


Sob este lema triunfará um dia a minha Filosofia,
porque até agora foi proibido, em princípio, tudo o que seja a VERDADE.


Nietzsche

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os NORMAIS...


Eu não sou NORMAL! NORMAL é o mundo! As pessoas que governam e o povo que aceita.
NORMAIS são os terroristas, nazistas, homofóbicos e fanáticos religiosos.
NORMAIS são os políticos e quem aceita a mediocridade do padrão de vida.
NOrmais são os pobres acomodados e os ricos indiferentes.
NORMAIS são os pais que não levam as crianças pra escola e as colocam pra trabalhar.
NORMAIS são as pessoas que não amam, não sentem, não vivem.
NORMAIS são aqueles que vivem o futuro e esquecem o presente.
NORMAL é quem não bebe, não fuma, não sai para se divertir, quem tem medo de morrer e por isso deixa de viver.
NORMAIS são os falsos e dissimulados que vivem pelo mal do outro, é quem acaba com a própria vida por outra pessoa.
NORMAL é quem não tem amigos, quem nunca passou a noite acordado e viu o sol nascer, quem deixou de ser criança, quem nunca se apaixonou, quem não viveu uma grande história, quem nunca cometeu uma loucura.
NORMAL é quem nunca riu até não agüentar, quem nunca chorou até dormir, quem nunca amou até doer. É quem não sofreu para crescer, quem não amou por medo de chorar.
NORMAL é quem tem medo e vergonha de dizer que ama, quem não conhece a intensidade de uma fervorosa paixão, quem vive sozinho por opção.
NORMAL é quem não sente desejo, tesão, raiva, mágoa. Não sente por não ter por quem sentir, por não ter dado a chance de conhecer alguém para sentir o coração mais forte que a mente.
NORMAL é quem nunca soube viver, é quem se contentou por existir.
Eles são NORMAIS.
E eu?
Eu SOU LOUCO...