sábado, 19 de junho de 2010

Saramago


Sei que não deveria abandonar esse lugar, que para mim serve como uma grande válvula de escape, mas por vezes a ausência se faz necessária para que possamos dar continuidade a outros projetos.
Sinto falta de vir aqui e descarregar um monte de coisas que ando vendo na mídia, na politicagem teatral brasileira, no povo adestrado e sempre calado e na conformidade com a qual encaramos tudo com uma passividade característica brasileira.
Mas...sinceramente? Tenho tido tantas informações e tanta vontade de gritar, protestar e provocar que as idéias fervilhadas acabam se evaporando sem nem ao menos causar as repercuções necessárias.

Deixando os desabafos profundos de lado, este post serve de homenagem a um Mago da Literatura Mundial.
Dedico, com profundo agradecimento que adquiri durante os processos de buscas literárias, esse espaço, mesmo que pouco visitado e reconhecido, a José de Sousa Saramago que faleceu no dia 18/06/2010.

Um grande vácuo cultural se formou desde então e para quem ainda não conhece sua vasta dedicação a literatura mundial...encontre-o, desfrute-o, busque...desesperadamente BUSQUE! rs

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar"

"É preciso variar, se não tivermos cuidado a vida torna-se rapidamente previsível, monótona, uma seca"

"Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos
de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste."

José de Sousa Saramago (1922-2010)

domingo, 9 de maio de 2010

A Linguagem do Poeta


Uma linguagem que corte o fôlego.
Rasante, talhante, cortante.
Essa deve ser a linguagem do poeta.
Linguagem de aços exatos, de relâmpagos afiados, de agudos incansáveis, de navalhas reluzentes.

Uma dentadura que triture o eu-tu-ele-nós-vós-eles.

Um vento de punhais que desonre as famílias, os templos, as bibliotecas, os cárceres, os bordéis, os colégios, os manicômios, as fábricas, as academias, os cartórios, as delegacias, os bancos, as amizades, as tabernas, a revolução, a caridade, a justiça, as crenças, os erros, a esperança, as verdades... a verdade!


Sobre o autor: Octavio Paz nasceu e morreu na Cidade do México (1914 - 1998). Foi encorajado por Pablo Neruda para se dedicar à poesia. Foi escritor, poeta, diplomata e jornalista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De frente


"L'homme est le seul oiseau qui porte sa cage" de Claude Weiss



Com os olhos fechados, mas totalmente desperto,
Imaginou passos que se aproximavam da porta do quarto.
Depois cessavam.
Batiam na porta, perguntavam:

- Posso entrar? (perguntava-lhe a vida)
- Pode - ele disse.

E voltou-se para encará-la...de frente.



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nossos Inimigos



Nossos inimigos dizem:

"a luta terminou".

Mas nós dizemos:

"ela começou".

Nossos inimigos dizem:

"a verdade está liquidada".

Mas nós dizemos:

"nós ainda a conhecemos".

Nossos inimigos dizem:

"mesmo que ainda se conheça a verdade, ela não pode mais ser divulgada".

Mas nós a divulgamos.


Autor: Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cego


Realmente para não deixar o blog às moscas, enquanto não coloco um texto meu, resolvi postar algumas poesias ou micro contos que de fato são interessantes...


Começo por esse aqui...



Cego de nascença, aprendeu a ler no escuro. Desde pequeno, os livros lhe eram abertos, os toques lhe fundavam janelas, os sons lhe eram caminhos de pedra.
Um dia, achou um doador de córnea e pensou que os recursos adquiridos poderiam lhe render a visão total.
Não aceitou ser operado por conta do governo, nem enxergar no claro. Ficou com medo de se olhar no espelho das pessoas e ter medo da escuridão que havia nelas.


Autor: Silas Corrêa Leite

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Infância perdida


Doze anos acredito eu...
Arrasta o caixote pesado nos ombros magros...
As mãos sujas de graxa preta carregam algumas moedas como gorgeta...

Paro e volto meus olhos para o menino que não transmite sorrisos.
A noite passa lentamente e os meus prazeres se dissolvem involuntariamente num copo gelado de cerveja.
Distraio-me com a incessante tentativa daquele corpo infantil realizar seu trabalho
e abandonar a sua infância em alguns sapatos renovados...

Fernando Resende

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Procura-se

Olá para todos que, frequentemente, reservam alguns minutos para ler textos e poesias aqui postados.

Vendo o constante crescimento dos seguidores resolvi fazer algumas mudanças e decidi começar a interagir com os leitores. Não apenas jogar meus textos como se fosse algo sempre automatizado entendem? Quero poder ter algum contato com cada pessoa que se interessa pelo Blog.



Podem Aguardar Mudanças...

Procura-se Político Honesto: http://gulp.com.br/404.html










Eu grito para todos vocês...Sim...
Para cada um de vocês...

Olhem o mundo ao seu redor...
É realmente isso que desejam compartilhar?
São essas pessoas que vocês, brasileiros persistentes, querem promover com o poder?
São esses homens, em grande parte, abençoados com um histórico escolar invejável, que todos vocês realmente querem seguir?
São essas eternas promessas de melhorias falsas que, exaustivamente, vocês esperam concretizar?
São esses aliados do descaso, “ingênuos” propulsores dos índices violentos de uma cidade grande....
Criadores seculares da desordem e desigualdade que, insistentemente, vocês, todos vocês, querem eleger?

Quantas famílias colecionam perdas com doenças?
Quantos jovens se engrandecem por não freqüentar as escolas sucateadas e assim se rendem ao mundo criminal?
Quantos, de todos vocês, são impedidos de seguirem caminhos de glórias porque a falta de oportunidades bate a sua porta?

Me deixem gritar as verdades para o mundo...
E se os gritos não forem o suficiente...
Deixem que minhas palavras de inconformismo tenham livre acesso...
Estou farto do rodízio de homens babacas que pregam e constroem esperanças no povo careta...

Sim...
Seja bem vinda culpa...
Culpas essas que concordam com frasezinhas banais do tipo: “O povo brasileiro não desiste nunca”
Quanta merda todos vocês insistem empurrar consciência abaixo não?
Vocês não desistem do que?
De serem cúmplices, a cada quatro longos anos, dos roubos de seus próprios esforços?

TOLOS...
Cada um de vocês...
Compactuam de forma barata, toda essa patifaria nojenta em que se vêem afundando a cada dia....

BRASIL DO FUTURO?
ONDE?
QUANDO?
NUNCA...

Me pedem para escolher o melhor...
Indiferentemente respondo...Existe coisa melhor do que o meu não?
Existe coisa melhor do que, a minha consciência cansada, vomitar um não em cada poder político?
Existe melhor aprendizado do que o despertar crítico e realista?

Foi conhecendo a política que me tornei apolítico...
Foi conhecendo as sujeiras do submundo corrupto que me tornei incapaz de aceitar...
Foi conhecendo a rua, a fome e a necessidade que fui me tornando propagador da mudança desejada...
Foi num mundo alienado pela mídia massificadora que me tornei incomodante...
Incomodo como, aquela pedrinha no sapato, que insiste tirar a paciência de qualquer ser humano digno de limites...
Foi observando o caminhar rotineiro, de qualquer vida acomodada, que me tornei libertário...
Foi lendo que me tornei íntimo das palavras críticas e construtivas...
Foi trabalhando muito e ganhando pouco que descobri respeitar qualquer classe social
Foi convivendo com o preconceito doentio que joguei-o para o alto e dei valores aos sentimentos humanitários
Foi o silêncio armazenado que me fez gritar...

Mesmo que esses gritos inquietantes...
Sejam traduzidos em palavras...


Idéias são à prova de balas!!!

Fernando Resende