domingo, 9 de maio de 2010

A Linguagem do Poeta


Uma linguagem que corte o fôlego.
Rasante, talhante, cortante.
Essa deve ser a linguagem do poeta.
Linguagem de aços exatos, de relâmpagos afiados, de agudos incansáveis, de navalhas reluzentes.

Uma dentadura que triture o eu-tu-ele-nós-vós-eles.

Um vento de punhais que desonre as famílias, os templos, as bibliotecas, os cárceres, os bordéis, os colégios, os manicômios, as fábricas, as academias, os cartórios, as delegacias, os bancos, as amizades, as tabernas, a revolução, a caridade, a justiça, as crenças, os erros, a esperança, as verdades... a verdade!


Sobre o autor: Octavio Paz nasceu e morreu na Cidade do México (1914 - 1998). Foi encorajado por Pablo Neruda para se dedicar à poesia. Foi escritor, poeta, diplomata e jornalista.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

De frente


"L'homme est le seul oiseau qui porte sa cage" de Claude Weiss



Com os olhos fechados, mas totalmente desperto,
Imaginou passos que se aproximavam da porta do quarto.
Depois cessavam.
Batiam na porta, perguntavam:

- Posso entrar? (perguntava-lhe a vida)
- Pode - ele disse.

E voltou-se para encará-la...de frente.



quinta-feira, 8 de abril de 2010

Nossos Inimigos



Nossos inimigos dizem:

"a luta terminou".

Mas nós dizemos:

"ela começou".

Nossos inimigos dizem:

"a verdade está liquidada".

Mas nós dizemos:

"nós ainda a conhecemos".

Nossos inimigos dizem:

"mesmo que ainda se conheça a verdade, ela não pode mais ser divulgada".

Mas nós a divulgamos.


Autor: Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cego


Realmente para não deixar o blog às moscas, enquanto não coloco um texto meu, resolvi postar algumas poesias ou micro contos que de fato são interessantes...


Começo por esse aqui...



Cego de nascença, aprendeu a ler no escuro. Desde pequeno, os livros lhe eram abertos, os toques lhe fundavam janelas, os sons lhe eram caminhos de pedra.
Um dia, achou um doador de córnea e pensou que os recursos adquiridos poderiam lhe render a visão total.
Não aceitou ser operado por conta do governo, nem enxergar no claro. Ficou com medo de se olhar no espelho das pessoas e ter medo da escuridão que havia nelas.


Autor: Silas Corrêa Leite

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Infância perdida


Doze anos acredito eu...
Arrasta o caixote pesado nos ombros magros...
As mãos sujas de graxa preta carregam algumas moedas como gorgeta...

Paro e volto meus olhos para o menino que não transmite sorrisos.
A noite passa lentamente e os meus prazeres se dissolvem involuntariamente num copo gelado de cerveja.
Distraio-me com a incessante tentativa daquele corpo infantil realizar seu trabalho
e abandonar a sua infância em alguns sapatos renovados...

Fernando Resende

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Procura-se

Olá para todos que, frequentemente, reservam alguns minutos para ler textos e poesias aqui postados.

Vendo o constante crescimento dos seguidores resolvi fazer algumas mudanças e decidi começar a interagir com os leitores. Não apenas jogar meus textos como se fosse algo sempre automatizado entendem? Quero poder ter algum contato com cada pessoa que se interessa pelo Blog.



Podem Aguardar Mudanças...

Procura-se Político Honesto: http://gulp.com.br/404.html










Eu grito para todos vocês...Sim...
Para cada um de vocês...

Olhem o mundo ao seu redor...
É realmente isso que desejam compartilhar?
São essas pessoas que vocês, brasileiros persistentes, querem promover com o poder?
São esses homens, em grande parte, abençoados com um histórico escolar invejável, que todos vocês realmente querem seguir?
São essas eternas promessas de melhorias falsas que, exaustivamente, vocês esperam concretizar?
São esses aliados do descaso, “ingênuos” propulsores dos índices violentos de uma cidade grande....
Criadores seculares da desordem e desigualdade que, insistentemente, vocês, todos vocês, querem eleger?

Quantas famílias colecionam perdas com doenças?
Quantos jovens se engrandecem por não freqüentar as escolas sucateadas e assim se rendem ao mundo criminal?
Quantos, de todos vocês, são impedidos de seguirem caminhos de glórias porque a falta de oportunidades bate a sua porta?

Me deixem gritar as verdades para o mundo...
E se os gritos não forem o suficiente...
Deixem que minhas palavras de inconformismo tenham livre acesso...
Estou farto do rodízio de homens babacas que pregam e constroem esperanças no povo careta...

Sim...
Seja bem vinda culpa...
Culpas essas que concordam com frasezinhas banais do tipo: “O povo brasileiro não desiste nunca”
Quanta merda todos vocês insistem empurrar consciência abaixo não?
Vocês não desistem do que?
De serem cúmplices, a cada quatro longos anos, dos roubos de seus próprios esforços?

TOLOS...
Cada um de vocês...
Compactuam de forma barata, toda essa patifaria nojenta em que se vêem afundando a cada dia....

BRASIL DO FUTURO?
ONDE?
QUANDO?
NUNCA...

Me pedem para escolher o melhor...
Indiferentemente respondo...Existe coisa melhor do que o meu não?
Existe coisa melhor do que, a minha consciência cansada, vomitar um não em cada poder político?
Existe melhor aprendizado do que o despertar crítico e realista?

Foi conhecendo a política que me tornei apolítico...
Foi conhecendo as sujeiras do submundo corrupto que me tornei incapaz de aceitar...
Foi conhecendo a rua, a fome e a necessidade que fui me tornando propagador da mudança desejada...
Foi num mundo alienado pela mídia massificadora que me tornei incomodante...
Incomodo como, aquela pedrinha no sapato, que insiste tirar a paciência de qualquer ser humano digno de limites...
Foi observando o caminhar rotineiro, de qualquer vida acomodada, que me tornei libertário...
Foi lendo que me tornei íntimo das palavras críticas e construtivas...
Foi trabalhando muito e ganhando pouco que descobri respeitar qualquer classe social
Foi convivendo com o preconceito doentio que joguei-o para o alto e dei valores aos sentimentos humanitários
Foi o silêncio armazenado que me fez gritar...

Mesmo que esses gritos inquietantes...
Sejam traduzidos em palavras...


Idéias são à prova de balas!!!

Fernando Resende

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Senhora Liberdade


As pernas que indiferentemente cruzam caminhos já conhecidos,
levam esse mesmo corpo a questionar diversas vezes o sentido de... o que é mesmo que estamos vivendo?

Sem muito esforço a própria realidade dá-me um tapa na cara resgatando num instante a consciência que visitara pensamentos distantes.

O que tenho eu feito da vida?

A não ser empurrar com desdenho e sem indagações tudo o que atravessa meu caminho?
A não ser ouvir sempre calado que fui " o que não nasceu para isso?"

Espero ligações que nunca acontecem...
Só para ouvir do outro lado a saudade que incomoda e que um simples passeio durante a madrugada a faria feliz.

E quem seria ela?
O silêncio invade a minha resposta...

Ouço por entre as ruas o convite da minha sempre louca amante...
Senhora liberdade para onde iremos essa noite?

Calada ela apenas sorri e me abraça...

Fernando Resende